Brasil x Alemanha. Argentina x França. São confrontos da Copa do Mundo que já aconteceram duas vezes antes. São confrontos que queremos. Parecem finais de Copa do Mundo realistas para a Rússia 2018, e a equipe de análise preditiva da STATS confirma isso com suas probabilidades de vitória no torneio.
Mas com base na situação de cada país na fase de grupos, esses confrontos poderiam teoricamente acontecer no início da fase eliminatória, o que nunca aconteceu antes com os empates específicos em questão. Na verdade, apenas uma combinação desses quatro países já aconteceu nas oitavas de final - Argentina x Brasil em 1990.
Um abalo semelhante quase aconteceu há quatro anos, graças, em parte, ao fato de o México ter se saído melhor do que o esperado. Ainda é um pouco cedo para colocar a Alemanha, adversária do Grupo F, em alerta, mas o El Tri também pode contribuir para o caos de 2018 e atrapalhar a trama.
Relembre o dia 17 de junho de 2014 - se você puder. Caso contrário, você não está sozinho. Aqui vai uma atualização: No papel, essa é uma das datas de jogos mais discretas na história abrangente da Copa do Mundo do Brasil, e uma das que os adversários do país anfitrião daquele dia provavelmente se lembrarão melhor. Foi um empate sem gols com o México, uma partida em que o goleiro do El Tri, Guillermo Ochoa, fez coisas com o corpo para manter a bola fora do gol que nenhum modelo de simulação de futebol pode prever adequadamente.
Com base nas chances criadas pelo Brasil, a expectativa de gols foi de 1,53. A do México? 0.44. Arredonde para cima e para baixo, e isso está de acordo com os cálculos pré-jogo do modelo utilizado pela equipe de análise preditiva da STATS, que projetou uma vitória do Brasil por 2 a 0 com as seguintes probabilidades para cada resultado possível:

Graphics de Stephan van Niekerk)
Mas Ochoa impediu que algumas tentativas claras cruzassem a linha, e os países dividiram os pontos. Isso colocou em dúvida se o Brasil venceria o Grupo A, como era esperado desde o início. Após a partida, Brasil e México estavam empatados no topo do Grupo A com quatro pontos cada, com o Brasil tendo uma vantagem de um gol no saldo de gols. Se o México fosse derrotado no último dia de jogo do grupo, o Brasil enfrentaria a Holanda, eventual terceira colocada, nas oitavas de final. O resultado foi que ambas as equipes terminaram com sete pontos e o Brasil ficou em primeiro lugar com um saldo de gols de mais 5 contra +3 do México.
O Brasil derrotou o Chile nos pênaltis nas oitavas de final, enquanto o México foi eliminado pelos holandeses depois de abrir o placar aos 48 minutos do segundo tempo e acabar perdendo com um pênalti muito controverso sofrido por Arjen Robben, cujo pé esquerdo prolífico está em segundo lugar no arsenal de ferramentas de futebol do atacante, atrás apenas da sua capacidade de cair no chão.
Quase quatro anos depois, a mesma equipe de previsão está de volta, realizando mais de 100.000 simulações para chegar às probabilidades iniciais de vitória de todos os 32 países em suas partidas individuais e grupos, bem como às probabilidades de vencer o torneio inteiro. Tudo isso está disponível para os parceiros de mídia para ajudar a criar listas de jogos mais dinâmicas e ajudar a elaborar histórias como - bem - esta.
Para 2018, não deve ser uma grande surpresa o fato de que, na primeira série de simulações após o sorteio, o Brasil voltou a liderar os favoritos do torneio, seguido de perto pela Alemanha, atual campeã. A França está em terceiro lugar e a Argentina não fica muito atrás, em quinto, com a Espanha, campeã de 2010, entre elas.
Mas o que talvez seja mais interessante considerar aqui é o quanto é importante para cada uma das quatro primeiras equipes que estamos focando aqui seguir a projeção da STATS de que elas vencerão seus grupos. Isso porque, da maneira como as oitavas de final são estruturadas, os vencedores de um grupo predeterminado jogam contra o segundo colocado de outro grupo. Isso significa que os vencedores do Grupo C - França, Austrália, Peru e Dinamarca - jogarão contra os segundos colocados do Grupo D - Argentina, Islândia, Croácia e Nigéria - e os vencedores do D jogarão contra os segundos colocados do C. O mesmo vale para o Grupo E - Brasil, Suíça, Costa Rica e Sérvia - e o Grupo F - Alemanha, México, Suécia e Coreia do Sul.
Portanto, o México - equipado com o que se diz ser uma de suas melhores equipes em anos, depois de passar pelas eliminatórias - desempenhará um papel importante mais uma vez. Qual é a probabilidade de o El Tri ou outra equipe de um desses grupos contribuir para que esses jogos imperdíveis cheguem até nós mais cedo do que gostaríamos?
Há 30,1% de chance de Argentina e França se enfrentarem nas oitavas de final. E há 25,3% de chance de Brasil e Alemanha terem a revanche da infame semifinal de 2014 duas rodadas antes. Isso coloca em 7,6% a probabilidade de ambas as partidas acontecerem nas oitavas de final e de quatro das cinco melhores equipes classificadas se enfrentarem muito antes do esperado no torneio.
Matematicamente, a maneira mais realista para que o primeiro aconteça é a Croácia, a equipe número 15 no ranking mundial da FIFA e a nona colocada nas projeções de torneio da STATS, vencer o Grupo D à frente da Argentina. A Croácia, liderada por Luka Modrić, Ivan Rakitić e Ivan Perisić, tem 23,6% de chance de vencer o grupo, contra 61,7% da Argentina. Mas essas chances podem mudar substancialmente em sua segunda partida da fase de grupos se a Croácia conseguir pelo menos um empate:
A revanche entre Alemanha e Brasil é menos provável porque ambas as equipes são grandes favoritas para vencer seus grupos, com o Brasil liderando todas as equipes com 79,5% e a Alemanha com 74,9%, que é a terceira maior probabilidade depois da França (75,6%).
O jogo mais provável para agitar as partidas das oitavas de final entre os Grupos E e F? Não envolve o Brasil. A Seleção tem, na pior das hipóteses, 70,7% de chance de vencer cada um de seus adversários na fase de grupos. Em vez disso, tem a ver novamente com o México, 17º no ranking mundial da FIFA e14º nas projeções de torneio da STATS:
Uma matemática rápida nos diz que essa é uma chance de 32,9% de o México obter um resultado capaz de reescrever a expectativa do grupo. Pode não parecer muito, mas lembre-se da chance de 26,2% de 2014 contra o Brasil.
Se a Croácia entrasse em ação, o que viria a seguir seria uma verdadeira "oitavas de final da morte".

