Este é o segundo da série de blogs de Neil Watson para a OptaPro. Nesses artigos, Neil aborda a análise de dados na união do rugby de um ponto de vista acadêmico, mantendo o foco nas aplicações do mundo real.
Neil é professor de Ciências Estatísticas na Universidade da Cidade do Cabo.
Esta é a segunda publicação de uma série de blogs que analisará vários aspectos do desempenho da equipe. Na postagem anterior, analisei 66 indicadores-chave de desempenho (KPIs) que anteriormente diferenciavam as equipes vencedoras das perdedoras. Respondi a duas perguntas: (i) Quais KPIs ainda são diferenciadores válidos? E (ii) Quais KPIs diferenciam as equipes em diferentes competições?
Neste blog, considero apenas as equipes de ponta e de base da Copa dos Campeões da Europa (ECC), da Copa Heineken (HC) e do Super Rugby (SR)[i]. Escolhi os dois finalistas e as duas equipes com os pontos de registro mais baixos em cada torneio e fiz a mesma análise que no primeiro blog. Uma parte dos resultados é mostrada na Tabela 1 abaixo.

Tabela 1. Distribuição de KPIs estatisticamente significativos
Alguns destaques (com comparação com os resultados do primeiro blog):
i. Um grande aumento na proporção de KPIs que exibem efeitos médios (17,6% para 6,9%) e uma proporção muito menor que exibe efeitos insignificantes (11,8% para 22,4%).
ii. Como antes, todos os KPIs que mostram os maiores efeitos envolvem as variáveis fortemente correlacionadas com a marcação de pontos. As melhores equipes marcam mais do que o dobro de pontos, tentativas e conversões.
iii. Uma diferença maior na % de posse de bola entre as equipes vencedoras e perdedoras (8,2% a 5,98%).
iv. Ao examinar os KPIs significativos em todas as três competições, as equipes superiores e inferiores diferem mais nas áreas de ataque e território.
Há dois aspectos a serem considerados ao interpretar os resultados acima: Em primeiro lugar, os KPIs que mostram grandes efeitos estão fortemente correlacionados entre si. Em segundo lugar, deve-se ter em mente que a maioria dos KPIs aqui são contagens de ações, em vez de proporções (%) que trazem contexto ao desempenho de uma equipe. Isso pode fazer com que suas interpretações sejam enganosas. Por exemplo, se examinarmos os Rucks e passes e os Rucks perdidos, as melhores equipes perdem menos rucks e também passam diretamente da base do ruck com menos frequência. No entanto, a menos que tenhamos informações sobre o número total médio de rucks por jogo, não podemos fazer uma interpretação definitiva. Será que as equipes inferiores têm um número maior de empilhadeiras por jogo? A questão de expressar variáveis como contagens em vez de proporções/razões é importante e será discutida em um blog futuro.
Para facilitar a comparação entre as equipes superiores e inferiores, desenvolvi uma matriz de classificações de 12 KPIs de interesse em seis áreas de jogo: ataque, defesa, disciplina/erros, chutes, posse de bola/território e bola parada. A Tabela 2 exibe as classificações das duas melhores e das duas piores equipes em cada competição. Para a maioria dos KPIs, uma classificação mais alta é melhor, mas há alguns em que uma classificação mais baixa é melhor (% de tackles perdidos, pênaltis sofridos, erros e lineouts perdidos).

Tabela 2. Classificação das equipes em uma seleção de KPIs nas áreas de jogo (Equipes: SRC = Saracens, TLN = Toulon, TRV = Benetton Treviso, ZBR = Zebre, CLR = Clermont, CST = Castres Olympique, SS = Sale Sharks, HGH = Highlanders, HRR = Hurricanes, BLS = Blues, FRC = Force)
Vários resultados merecem ser discutidos aqui, mas incluirei apenas algumas considerações sobre cada aspecto do jogo:
Ataque: As melhores equipes têm uma classificação muito mais alta em relação ao número de quebras de linha por jogo, o que indica que elas frequentemente encontram maneiras de romper as linhas defensivas dos adversários. Seria intrigante investigar melhor as estratégias utilizadas para conseguir isso - por exemplo, o objetivo é colocar os jogadores no espaço ou criar incompatibilidades entre os zagueiros e os atacantes? A diferença em Points marcados quando a posse de bola começa na classificação opp22m é menor, mas podemos inferir que as equipes de ponta são mais clínicas na conversão de oportunidades de gol nos 22m do adversário.
Defesa: Os sistemas defensivos das equipes de ponta geralmente são melhores para diminuir o ímpeto do adversário (com algumas exceções). Entretanto, também é evidente que ter uma boa defesa não é necessariamente uma garantia de sucesso. Por exemplo, o Toulon (TLN) não teve uma ótima temporada defensiva no HC, mas venceu. Eles claramente deram uma ênfase considerável a essa área na temporada seguinte, quando tiveram uma classificação muito melhor nesses KPIs. Outro exemplo é o Sale Sharks, que obteve boas classificações nesses KPIs, mas terminou com os pontos de registro mais baixos.
Disciplina/erros: Tanto no ECC quanto no HC, as equipes de ponta geralmente sofreram menos penalidades e cometeram menos erros. O SR é interessante, pois as equipes superiores e inferiores estão muito próximas na classificação. De fato, tanto os Highlanders quanto os Hurricanes cometeram mais erros do que os Blues e os Force durante a temporada. Isso indica que os dois finalistas jogaram com mais liberdade, pois não estavam concentrados em minimizar os erros? Uma análise mais aprofundada de outros KPIs ajudará a responder a essa pergunta.
Chutes: As equipes superiores chutam mais e/ou recuperam um número maior de chutes do que as equipes inferiores em geral. Uma exceção notável a isso é o Toulon no HC, onde a equipe teve uma classificação ruim em ambos os KPIs. Novamente, eles parecem ter examinado essa área com intenção, pois melhoraram em ambos no ECC.
Posse de bola/território: As melhores equipes têm uma maior porcentagem de posse de bola e entram nos 22 metros do adversário com mais frequência. As classificações aqui revelam que as melhores equipes mantêm a posse de bola por períodos mais longos e têm jogos de chute tático mais eficazes.
Jogo de bola parada: Em geral, as melhores equipes perdem menos lineouts. Uma exceção notável aqui são os Hurricanes, que perderam o maior número de lineouts de qualquer equipe de SR. Estou curioso para saber o quanto eles melhoraram nessa área este ano, já que são os atuais campeões de SR. Nas classificações de Mauls ganhos, há menos distinção entre as equipes nas competições. Acho que isso indica que há poucos mauls por jogo, e a diferença entre as equipes superior e inferior não é grande (5,78 a 4,06).
E agora?
Uma questão de grande debate na comunidade global do rúgbi é se existem planos de jogo específicos que contribuam para a vitória. O próximo blog comparará as equipes superiores e inferiores com mais detalhes, para contrastar os diferentes planos de jogo adotados em cada competição e entre as competições.
[i] Não havia dados suficientes sobre a quantidade reduzida de equipes no torneio Six Nations ou no Rugby Championship para realizar qualquer análise significativa.